se ficamos sozinhos.
Talvez ignore
que nós não somos mar de nenhuma praia,
que escolhemos poupar às falésias as cicatrizes
das ondas; e tudo para não aprendermos
o verdadeiro nome das feridas.

PAVILHÃO B 


Quando era pequena quis ser locutora de rádio, ficava horas a gravar programas inventados num pequeno rádio que o Sr.António João me oferecera pelos meus seis anos. Nessa mesma idade quis ser "Ivone Silva" e representar para o público do parque mayer e para os telespectadores da rádio televisão portuguesa. Quis ser Ivone, para ter esta genialidade em palco, esta "graça" e este encanto que só ela teve.


A menina-cacto está sensivel e de lágrima fácil. Jura que chorou litros de lágrimas à procura da porção secreta, de alguma coisa que lhe amaciasse a alma. Está à janela desde manhã, depois de ter ouvido insultos, analisado o horário laboral pormonorizadamente, ouvido pianos que a façam chorar e comprado outra amigo cacto para passar o dia consigo. Está à janela até o sol se pôr, porque sabe que ainda vai haver alguma coisa para mudar o dia descordenado que está a ter.

ALTA, ESGUIA, CLÁSSICAPorque o assobio do avô me veio à memória e porque, sem lhe pedir autorização, tenho andado a remexer no passado que está nas fotografias e nas palavras que ele escreveu num caderno diário a certa altura da vida.
Esta música era daquelas que se faziam ouvir ao domingo de manhã ou no carro a caminho da serra.
Cada vez sinto mais a tua falta e cada vez mais acredito que estás aqui ao pé de mim...

(fotografia de Melvin Sokolsky)